segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Redação narrativa

Narração (com exemplos)





Características:


Situa seres e objetos no tempo (história).

Estrutura:

- Introdução: Apresenta as personagens, localizando-as no tempo e no espaço.
- Desenvolvimento: Através das ações das personagens, constrói-se a trama e o suspense que culmina no clímax.
- Conclusão: Existem várias maneiras de se concluir uma narração. Esclarecer a trama é apenas uma delas.

Recursos:

Verbos de ação, discursos direto, indireto e indireto livre.

O que se pede:

Imaginação para compor uma história cativante que entretenha o leitor, provocando expectativa. Pode ser romântica, dramática ou humorística.
A narrativa deve tentar elucidar os acontecimentos, respondendo às seguintes perguntas essenciais:
O QUÊ? - o(s) fato(s) que determina(n) a história;
QUEM? - a personagem ou personagens;
COMO? - o enredo, o modo como se tecem os fatos;
ONDE? - o lugar ou lugares da ocorrência
QUANDO? - o momento ou momentos em que se passam os fatos;
POR QUÊ? - a causa do acontecimento.
Observe como se aplicam no texto de Manuel Bandeira esses elementos:

Tragédia brasileira

Misael, funcionário da Fazenda, com 63 anos de idade.
Conheceu Maria Elvira na Lapa — prostituída com sífilis, dermite nos dedos, uma aliança empenhada e os dentes em petição de miséria.
Misael tirou Maria Elvira da vida, instalou-a num sobrado no Estácio, pagou médico, dentista, manicura... Dava tudo quanto ela queria.
Quando Maria Elvira se apanhou de boca bonita, arranjou logo um namorado.
Misael não queria escândalo. Podia dar uma surra, um tiro, uma facada. Não fez nada disso: mudou de casa.
Viveram três anos assim.
Toda vez que Maria Elvira arranjava namorado, Misael mudava de casa.
Os amantes moraram no Estácio, Rocha, Catete, Rua General Pedra, Olaria, Ramos, Bom Sucesso, Vila Isabel, Rua Marquês de Sapucaí, Niterói, encantado, Rua Clapp, outra vez no Estácio, Todos os Santos, Catumbi, Lavradio, Boca do Mato, Inválidos...
Por fim na Rua da Constituição, onde Misael, privado de sentidos e inteligência , matou-a com seis tiros, e a polícia foi encontra-la caída em decúbito dorsal, vestida de organdi azul.
Manuel Bandeira
  • O quê? Romance conturbado, que resulta em crime passional.
  • Quem? Misael e Maria Elvira.
  • Como? O envolvimento inconsequente de um homem de 63 anos com uma prostituta.
  • Onde? Lapa, Estácio, Rocha, Catete e vários outros lugares.
  • Quando? Duração do relacionamento: três anos.
  • Por quê? Promiscuidade de Maria Elvira.
Quanto à estruturação narrativa convencional, acompanhe a sequência de ações que compõem o enredo:
  • Exposição: a união de Misael, 63 anos, funcionário público, a Maria Elvira, prostituta;
  • Complicação: a infidelidade de Maria Elvira obriga Misael a buscar nova moradia para o casal;
  • Clímax: as sucessivas mudanças de residência, provocadas pelo comportamento desregrado de Maria Elvira, acarretam o descontrole emocional de Misael;
  • Desfecho: a polícia encontra Maria Elvira assassinada com seis tiros.


SEGUEM ALGUNS MODELOS

O dia que virou um dia

Os primeiros raios de sol, brandos como um leve toque, anunciam um novo dia de uma preguiçosa segunda-feira. Maria acorda, ingere algum pão e café, despede-se da família e se põe a caminhar em direção ao ponto de ônibus. Não tão longe dela, José executa as mesmas ações, porém, não se sabe se desperdiçou os mesmos momentos de adeus.
Maria cumpre mais uma jornada de trabalho e, cansada, roga a volta a casa. Entra então, em um lotação, cujos passageiros a rotina a fez conhecer. José, bandido inveterado, passa o mesmo dia a caminhar, tramar e agir. Todavia, finda-se a data para ele também e, não estando satisfeito com as finanças adquiridas, envolve-se em dantescos pensamentos.
Vem lá o transporte com Maria. O mesmo é avistado pelo marginal, que logo conclui seu plano iminente de execução. E o faz. O aceno com a mão indica ao motorista que pare o veículo e o deixe entrar. As vistas de Maria mudam imediatamente de direção e cruzam-se com as de José. Este segue, como quem mede os passos, ao encontro daquela. Fita-lhe mais uma vez os olhos e estende-lhe os braços. Aquelas magras mãos tocam a moça e, brutalmente, puxam-na para o mais perto de si: tem uma refém.
José anunciou o assalto e obrigou o condutor a parar o cano. Endiabrado, mostra a sua arma e faz com que Maria a sinta na nuca. O tumulto chama, com brevidade, a atenção do povo e, consequentemente a da polícia. E nesta hora que começam algumas negociações. Com prontidão chega a imprensa, que transforma José em o José bem como Maria em a Maria.
Passadas já muitas horas, o bandido põe em prática um novo plano: tentar sair do ônibus com a sua refém. Ouve-se um tiro, que atinge Maria. Vendo que iria ser baleado, José dispara mais três tiros de sua arma, que ferem mortalmente as costas da moça. O criminoso é dominado e posto na viatura, onde sorrateiramente morre. A defunta vira manchete, heroína. Passa-se uma semana e aquela foi apenas mais uma segunda-feira em uma grande metrópole.
Diógenes D’arce C. de Lima

Além do espelho, lembranças

Um dia, quando encerrava meu trabalho, fixei a atenção em um simples objeto da minha sala. Caminhei, paulatinamente, ao seu encontro e, à medida que me aproximava, sentia meu ego explodir em sensações indescritíveis.
Ali, diante dele, parei. Meu reflexo testemunhava as marcas do passado e trazia, à tona, as lembranças da infância e da adolescência. As imagens, agora, misturavam-se, comprometendo minha lucidez. Senti meu corpo flutuar e minha visão apagar-se, de forma que eu me concentrava em recordações, apenas.
Assim, momentos depois, revia meus irmãos e vizinhos correndo em volta da mesa, mamãe fazendo o jantar, papai lendo o jornal, os cães brincando no jardim e, também, meus amigos de colégio, antigos casos amorosos.
Recuperei o bom senso, por um instante, mas não durou mais que isso, pois, novamente, brotam outros pensamentos: o nascimento dos filhos e a ascensão profissional.
Minutos depois, tudo acabara. Diante de mim havia só um espelho, cujo reflexo já não era de um cenário fantasioso de minha mente.
Luana Stephanie de Medeiros

Uma lição de vida

Lembro-me de uma manhã em que descobri um casulo na casca de uma árvore, no momento em que a borboleta rompia o invólucro e se preparava para sair. Esperei algum tempo, mas estava demorando muito e eu tinha pressa.
Irritado e impaciente, curvei-me e comecei a esquentá-lo com o meu hálito. E o milagre começou a acontecer diante de mim num ritmo mais rápido que o natural. O invólucro se abriu e a borboleta saiu, arrastando-se. Nunca hei de esquecer o horror que senti: suas asas ainda não estavam abertas e todo o seu corpinho tremia, no esforço para desdobrá-las.
Curvado por cima dela, eu a ajudava com o meu hálito. Em vão. Era necessária uma paciente manutenção e o desenrolar das asas devia ser feito lentamente ao sol. Agora era tarde demais. Meu sopro obrigava a borboleta a se mostrar, antes do tempo, toda amarrotada. Ela se agitou desesperada e, alguns segundos depois, morreu na palma de minha mão.
Acho que aquele pequeno cadáver é o peso maior que tenho na consciência. Hoje, entendo bem isso: é um pecado mortal forçar as grandes leis.
Não devemos nos apressar, nem ficar impacientes, mas seguir confiantes no ritmo eterno.
Nikos Kazantzakis

O engano

Um estudante, em viagem ao interior, ao passar por uma loja, entrou e comprou um presente para sua namorada. Escolheu um lindo par de luvas. Depois pediu para embrulhar, na hora de embrulhar, a moça cometeu um engano, trocando o par de luvas por uma calcinha. O estudante, não tomando conhecimento, mandou o embrulho e a seguinte carta:
Vitória, 5 de maio de 1976.
Querida, sabendo que no próximo dia 12 é dia do seu aniversário, resolvi mandar-lhe um presente; sei que irá usar, pois todo o tempo em que estivemos juntos, nunca a vi usando. Não sei se você vai gostar da cor e do modelo, mas a moça da loja experimentou e ficou boa.
É um pouco larga na frente, mas ela disse que era para a mão entrar melhor e os dedos moverem-se mais à vontade. É bom que, depois de usá-la, vire-a ao avesso e ponha um pouco de talco para evitar o mau cheiro. Espero que goste, pois vai cobrir aquilo que eu irei pedir um dia.
Aqui termino, mandando um beijo bem profundo naquilo que o presente irá cobrir.

Redação descritiva

Descrição (com exemplos)


Características

Situa seres e objetos no espaço (fotografia).

Estrutura

Introdução - A perspectiva do observador focaliza o ser ou objeto e distingue seus aspectos gerais.
Desenvolvimento - Capta os elementos numa ordem coerente com a disposição em que eles se encontram no espaço, caracterizando-os objetiva e subjetivamente, física e psicologicamente.
Conclusão - Não há um procedimento específico para conclusão. Considera-se concluído o texto quando se completa a caracterização.

Recursos

Uso dos cinco sentidos: audição, gustação, olfato, tato e visão que, combinados, produzem a sinestesia. Adjetivação farta, verbos de estado, linguagem metafórica, comparações e prosopopeias.

O que se pede

Sensibilidade para combinar e transmitir sensações física (cores, formas, sons, gestos, odores) e psicológicas (impressões subjetivas, comportamentos). 

Seguem alguns exemplos

Descrição de Pessoa

O grande homem da fé cristã

Considerado símbolo de fé, amor e perseverança, Jesus Cristo pode ser tomado como um dos maiores revolucionários que o mundo já conheceu. Ele provou a uma sociedade hipócrita e primitiva que um homem não se faz de seus matérias, mas do seu valor moral.
Em sua tênue expressão facial, Jesus sempre tinha um belo sorrido resplandecente. Seu carisma e simplicidade atraíram para si diversos seguidores, bem como inimigos. Ele propôs uma nova filosofia de vida, baseada no amor ao próximo, o que constratou com as leis do povo judeu, as quais se baseavam no ódio aos inimigos.
A sua crescente popularidade foi notável, principalmente entre as camadas mais pobres daquela sociedade, que o viam como um messias e adotaram suas palavras como religião. Nascia aí o Cristianismo, que em princípio fora duramente reprimido pelo governo romano, o qual dominava, naquela época, a Palestina. Indo de encontro aos interesses de Roma, e atraindo para si cada vez mais seguidores, mesmo fora daquela região, Jesus Cristo findou sua vida por meio da mais extrema penalidade que poderia ser aplicada a um réu: a crucificação.
Adjetivar Jesus Cristo grandiosamente tornar-se-ia uma forte digressão, todavia deve-se por no devido relevo o grande legado deixado por ele pra as religiões cristãs. Por seus constantes exemplos de amor ao próximo, de humildade e simplicidade, Cristo pode ser tido como modelo de perfeição mortal entre os homens.
Diógenes D´Arce Cardoso Luna

Darcy Ribeiro

Um dos mais brilhantes cidadãos brasileiros, Darcy Ribeiro provou ao mundo que um homem de nada mais precisa além da coragem e da força de vontade para modificar aquilo que, por covardia, simplesmente ignoramos. Ouvi-lo, mesmo que por alguns instantes, nos levava a conhecer sua sabedoria e simplicidade, era um verdadeiro intelectual cuja convivência com os índios o fez adquirir invejável formação humanística.
Darcy tinha a pele clara, olhos negros e curiosos, lábios finos e trazia em seu rosto marcas de quem já deixou sua marca na história, as quais harmoniosamente faziam-lhe inspirar profunda confiança. Apesar de diabético e lutar contra dois cânceres, não fez disso desculpa para o comodismo ante a seus ideais maiores, ele sabia o que queria, e não mediu esforço para conseguir.
Com seu espírito jovem e obstinado, Darcy Ribeiro estava sempre aprendendo e ensinando, ele sabia como ninguém pensar com serenidade e defender aquilo em que acreditava, porém era realista o suficiente para não se perder em "devaneios utópicos".
Acima de tudo, ele amava as crianças do Brasil, e em nome dessas fundou os CIEPs, no Rio de Janeiro, tendo também participação fundamental na criação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação. Seus esforços foram reconhecidos internacionalmente, valendo-lhe prêmios e homenagens por instituições de diversos países. Devido ao seu carisma, destacou-se como etnólogo, antropólogo, político, educador, escritor e historiador; tendo vários livros publicados.
Mais que uma sucessão interminável de adjetivos pomposos, Darcy Ribeiro representou um exemplo a ser seguido por qualquer um que tenha a consciência de seu dever para com a sociedade a que pertence. Portanto, homenageá-lo é dever de cada brasileiro.
André Luiz Diniz Costa

Descrição de Objeto

Clarinete

Um elemento clássico e imprescindível num concerto, o clarinete, com seu timbre aveludado, é o instrumento de sopro de maior extensão sonora, pelo que ocupa na banda de música o lugar do violino na orquestra.
O clarinete que possuo foi obtido após o meu nascimento, doado como presente de aniversário por meu bisavô, um velho músico, do qual carrego o nome sem tê-lo conhecido. O clarinete é feito de madeira, possui um tubo predominantemente cilíndrico formado por cinco partes dependentes entre si, em cujo encaixe prevalece a cortiça, além das chaves e anéis de junção das partes, de meta. Sua embocadura é de marfim com dois parafusos de regulagem, os quais fixam a palheta bucal.
Sua cor é confundivelmente marrom, havendo partes onde se encontra uma sensível passagem entre o castanho-claro e o escuro. Possuindo cerca de oitenta centímetros e pesando aproximadamente quatrocentos gramas, é facilmente desmontável, o que lhe confere a propriedade de caber numa caixinha de quarenta e cinco centímetros de comprimento e dez de largura.
Com pouco mais de um século, este clarinete permanece calado, latente, sem produzir sons nem músicas, pois, não herdei o dom de meu bisavô e nunca me interessei por este tipo de instrumento, mas, quem sabe se daqui a alguns anos não aparecerá um novo João Rodolfo, que herde ao mesmo tempo, de seus bisavô e tataravô, respectivamente, o instrumento e o dom.
João Rodolfo Cavalcanti A. de Araújo

Um lugar inesquecível

Localizado no Estado do Piauí, entre as cidades de São Raimundo Nonato e Coronel José Dias, encontra-se um dos locais mais bonitos do Brasil, o Parque Nacional Serra da Capivara, caracterizado pela sua paisagem exuberante e seus "mistérios" históricos.
Declarado Patrimônio Cultural da Humanidade pela UNESCO, este parque sensibiliza qualquer indivíduo que o visita. Suas rochas com formatos especiais, os diferentes animais silvestres e a impressão de estar há milhares de anos nos causam fortes sensações.
Os desenhos e pinturas nas cavernas e partes de esqueletos são também urna atração espetacular. Termos noção dos raros vestígios dos povos mais antigos da América é um fato marcante. Estudos revelam que a região da Serra da Capivara era coberta por densa floresta tropical. Hoje, sua vegetação é diferente, mas não apaga o aspecto de floresta.
Turistas de todo o mundo visitam o parque com frequência. Lamentavelmente, os turistas brasileiros são os que possuem menor índice de visitas, até porque não damos valor às belezas naturais e culturais que encontramos em nosso próprio país.
Hildegarda

sábado, 20 de setembro de 2014

Redação- Dicas Importantes V.


Dissertação - Dicas Importantes V.

13) Evite a argumentação generalizadora e baseada no senso comum.







Para sustentar uma opinião, você deve, como já vimos, apresentar argumentos sólidos, racionais e convincentes. Por isso, fique longe da argumentação sem embasamento, fruto de puro “achismo”, respaldada somente no senso comum (conjunto de opiniões mantido por tradição entre a maioria das pessoas, que o aceitam a crítica e passivamente).
É própria do senso comum, por exemplo, a generalização equivocada, que é a atribuição de uma característica a toda uma classe a partir de pequeno exemplário (diferentemente do que se faz por meio do método indutivo de raciocínio, que é baseado em argumentação coerente). Cuidado ao escrever “todos”, “nenhum”, “sempre” e “nunca”! Será que realmente são todos? Nenhum mesmo? Sempre, sem exceção? Nunca, nem uma vez? Evite afirmações como esta:

Será muito difícil reverter a atual situação na política do Brasil, uma vez que os políticos só pensam em roubar e em atender a seus próprios interesses.
Ora. Nós sabemos que nem todos os políticos só pensam em roubar. Não é? É... Bom, seria melhor trocar “os políticos” por alguns políticos.

14) Não seja radical.

Você já deve estar cansado de ouvir o seu professor dizer que o equilíbrio é importante na dissertação. Então, deve saber que opiniões radicais são evitáveis na redação (aliás, não só na redação... na vida!). Confira o pessimismo deste aluno:
Como se pode notar, o Brasil não tem mais chance de retroceder. Já está tudo acabado, e só nos resta esperar a destruição total.
Certamente os corretores da prova que abrigava esse trecho não se sentiram nada esperançosos. Haja Prozac...

15) Cuidado com palavras duvidosas.

Só utilize palavras de cujo sentido você tenha a absoluta certeza! Se escolher uma palavra com a qual não esteja acostumado – que não conheça muito bem –, você corre o risco de expressar uma idéia bem diferente da desejada, como fez o autor deste trecho:
Para despertar a atenção do mundo a esse problema, a Conferência Internacional de Durban, na África do Sul, apresentou-se reivindicando, além dos fatores já citados, a falta da mobilização social. Muitas pessoas - inclusive algumas que acreditam viver em um país onde não há racismo - ainda se mantêm paralisadas em relação à discriminação racial.
A Conferência Internacional sobre Racismo, em Durban, obviamente não “reivindicou” a falta de mobilização social. Muito pelo contrário, seus integrantes criticaram-na. “Reivindicar” significa “pedir”, “exigir”, “solicitar”.

Redação- Dicas Importantes IV.

Dissertação - Dicas Importantes IV

9) Não use a sua religião como argumento.


Algumas pessoas incorrem na falha de, numa dissertação objetiva, utilizar argumentos religiosos a fim de comprovar a tese. Lembre-se: informações e/ou argumentos bíblicos devem ser utilizados no âmbito religioso. Numa redação objetiva de vestibular, busque outros recursos. Veja um exemplo de argumentação religiosa utilizada em redação de vestibular:
É difícil compreender como uma pessoa  pode ser favorável ao aborto. As Sagradas Escrituras prevêem sérias punições aos que ousam ceifar a vida humana, tarefa que cabe exclusivamente a Deus, nosso Criador.

10) Fuja das palavras muito “fortes”.

Equilíbrio: característica fundamental da dissertação. Não deixe que, na sua dissertação, surjam palavras exageradamente expressivas. Você pode manifestar uma opinião favorável ou contrária a determinado assunto por meio de palavras menos emotivas. Veja como, no trecho abaixo, o aluno-escritor “forçou” na expressividade:

É interessante, porém, que, mais que não olhar para as conseqüências, os responsáveis se deixem levar pela sua falsa segurança (o dinheiro) e continuem com sua conduta, imperceptível aos próprios, putrefata em relação à humanidade.
Ele poderia empregar as palavras “negativa” ou “injusta”, que seriam mais “calmas”...

11) Evite gírias, termos coloquiais e estrangeirismos não-incorporados ao português.

Toda comissão avaliadora de redações levará em consideração se o aluno se adaptou à modalidade escrita de texto, que, por natureza, é mais formal que a falada. Por isso, não são bem-vindas expressões coloquiais demais (típicas da linguagem do bate-papo), como gírias e palavrões. É bom lembrar, porém, que, se você escrever uma carta a um estudante de Ensino Médio, por exemplo, a utilização de um ou outro termo coloquial – próprio do universo lingüístico do interlocutor – não constituirá problema (desde que não haja exagero, obviamente). Quanto a palavras e expressões estrangeiras, só as utilize se houver necessidade e, de preferência, se forem comuns ao leitor em geral ou ao leitor específico, caso se escreva uma carta. 

Veja um exemplo do que não se deve fazer:
O Governo defende a privatização, considerando-a como a salvação de uma sociedade em crise. Mas na verdade tudo isso é bobeira. Os caras querem, na verdade, torrar todo o dinheiro que a venda das estatais vai gerar e deixar o povo, como sempre, out.        
O trecho ficaria bem melhor assim:
O Governo defende a privatização, considerando-a como a salvação de uma sociedade em crise. Mas na verdade a maioria dos argumentos não procede. Alguns políticos querem, na verdade, gastar todo o dinheiro que a venda das estatais vai gerar e deixar o povo, como sempre, desamparado.     

12) Linguagem rebuscada também é evitável.

Assim como o coloquialismo é evitável na modalidade escrita de texto, os preciosismos e a linguagem muito “enfeitada” não devem ser utilizados. Não utilize a redação para demonstrar ao corretor que tenha decorado algumas palavras “difíceis”, como se isso comprovasse a sua habilidade textual. A sua linguagem deve ser simples, clara e adequada às regras da norma culta do português. Não escreva um texto como este:
O Governo, por meio de sua Carta Magna, já tornou perfunctórios os processos de privatização, como se o exício do fulgor estatal na economia não obstasse ao desenvolvimento.
Um como este ficaria melhor:
O Governo, por meio de sua Constituição, já tornou comuns os processos de privatização, como se a queda da influência estatal na economia não obstasse ao desenvolvimento.

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Dicas para uma boa redação.






Capriche na redação.



Embromação: esse  vício  pode destruir  um texto! Na tentativa  de escrever  bem, alguns redatores cometem  pecadinhos: frases excessivamente longas, falta de clareza, referências desnecessárias e  aquelas  desagradáveis  expressões conhecidas como lugares-comuns. Tudo  isso  em  busca de “escrever  bonito”. Quer escrever bem de verdade? Siga as nossas pistas.

1. Evite o  lugar-comum.
É o  tipo de expressão  que empobrece o  texto e  pode ser  mal visto  pelo  avaliador  em  um concurso.  São expressões desgastadas pelo uso ou tão  imprecisas que até dificultam o  entendimento  do  leitor. Geralmente,  demonstram  falta de  vocabulário  do  redator. Vejamos  alguns exemplos:
O trabalhador realizou  a  tarefa duras penas. (com dificuldade)
Seu segredo será  guardado a sete chaves.  (bem guardado)
Os  pedreiros fizeram  a obra a toque de caixa. (com rapidez)
Os amigos estavam  brigados, mas acertaram  os ponteiros. (fizeram  as pazes)
Os empresários chegaram a um denominador comum. (fizeram  um acordo)
A polícia apreendeu armas de grosso calibre. (Que armas? Fuzis? Canhões?  Bazucas?)

2. Cuidado  com os pleonasmos.
Pleonasmo é  a  figura  de linguagem caracterizada pela repetição desnecessária de  uma ideia. Observe:
Acabamento  final. Por acaso  existe o  acabamento feito  no   início?
Amigo pessoal.  Existe amigo impessoal?
Sorriso nos  lábios. A menos que  você esteja escrevendo  um texto  literário –  o que lhe permite certa licença  poética  -  evite a expressão.
Países no mundo -   E os países poderiam estar em algum outro lugar?
Surpresa inesperada -  Veja só que redundância!  Surpresa é  exatamente aquilo  que  não  se espera.
Criação de novos  cargos –  Seria possível criar cargos  velhos?

3. Seja conciso.
Como   já escrevemos em outro  texto,  “a concisão  é uma virtude, facilita a vida do leitor e torna o  texto mais elegante. Quando o  período é extenso demais, o leitor pode se confundir e não conseguir perceber qual é a ideia apresentada.”
Vimos  por meio desta comunicar que… –  Substitua por ” Comunicamos que…”
Solicitamos  efetuar o pagamento das parcelas … –  “Solicitamos o  pagamento das parcelas…”
Chegamos à conclusão de que… -  “Concluímos que…”
A polícia conduz a  investigação a respeito – “A polícia investiga…”

4. Fuja do  gerundismo.
gerundismo  é  o nome dado  a uma construção  que não se justifica em  língua portuguesa: a locução  verbal  com  três verbos.  Nesse vício  de  linguagem, temos frases como  “Senhora,  nós  vamos estar enviando”, “Eu vou  estar  fazendo”, em  lugar de  “Senhora,  nós enviaremos” e  “Eu farei”.
Fonte: conversadeportugues.com.br

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Dissertação - Dicas Importantes III.

Dissertação - Dicas Importantes.


5) Mantenha-se rigorosamente “dentro” do tema.

Há um critério de avaliação de redações que, sem dúvida alguma, é considerado por qualquer banca examinadora como um dos mais importantes: a adequação ao tema proposto. Você deve, portanto, dedicar atenção especial à leitura do tema e da proposta de redação, a fim de adaptar-se perfeitamente a eles. Quer ver um exemplo de tema do qual é fácil fugir? Leia este, cobrado pela UEL: 

Os quadrinhos acima fazem referência a dois aspectos que vêm sendo destacados nas críticas ao telejornalismo no Brasil: por um lado, o pequeno espaço dedicado à informação e à crítica, substituídas pelo sensacionalismo; por outro, a aprovação dos telespectadores, que resulta em aumento de audiência. Em um texto de 20 a 25 linhas, exponha seu ponto de vista sobre as características do telejornalismo destacadas e sobre a atitude e o gosto dos telespectadores.

Essa proposta de redação abrigava uma pequena armadilha: muitos vestibulandos, ao notar nos quadrinhos uma crítica à televisão, não hesitaram em escrever sobre a baixa qualidade da programação televisiva em geral. Entretanto, como se pode perceber pela delimitação proposta no exercício, o candidato deveria opinar sobre “as características do telejornalismo destacadas”. Logo, críticas a programas de auditório e a novelas, como havia em tantas dissertações, constituiriam fuga ao tema.


6) Evite jargões.

Cuidado com frases e expressões desgastadas. Fuja das construções que, de tão repetidas pelas pessoas, tornaram-se fossilizadas. É importante que você demonstre na sua dissertação que tem senso crítico para discernir as idéias e frases “batidas” daquelas que não se desgastaram pela exaustiva repetição. Observe este exemplo:
A criança deve ser respeitada. Seus direitos são garantidos pela Carta Magna, que prevê respeito, educação, alimentação, dignidade e carinho a todas elas. Todos devem conscientizar-se de que a criança é o futuro do Brasil. É no sorriso da criança que vemos a esperança da nação.
Batido, hem? Frases como “A união faz a força”, “Só o amor constrói”, “Cada um deve fazer a sua parte”, etc. são dispensáveis na dissertação. Elas só demonstrarão que você é simplesmente mais um que repete, repete e repete construções desgastadas.


Tautologia é o reforço desnecessário de uma informação ou a repetição, na mesma frase, de uma idéia já expressa por uma sentença. Cuidado com ela! Observe este exemplo:
7) Evite as tautologias.

Obteve para o Brasil inúmeras vitórias, mas um grave acidente fatal o fez parar no auge de sua carreira. Com sua morte, outro piloto está defendendo a bandeira em seu lugar, mas os brasileiros não o aceitam da mesma forma.
Certamente você nunca viu um acidente fatal que não tenha sido grave. Então, para que escrever “grave acidente fatal”? Seria mais sensato escrever simplesmente “acidente fatal” ou “acidente grave”. As possibilidades de tautologia são infinitas: “elo de ligação”, “desenvolvimento progressivo”, “acabamento final”, “destaque excepcional”, etc. Capriche na revisão e evite-as.


8) Utilize exemplos e citações relevantes.

Sabemos que a exemplificação e a citação na dissertação são muito importantes para ilustrar as idéias discutidas. Entretanto, você só deve utilizar exemplos e menções realmente importantes e condizentes com o tema abordado. Se citar alguém, prefira uma pessoa cuja opinião seja importante para o assunto (o parecer de um sociólogo, por exemplo, é mais importante que o de um professor de Matemática se o assunto for “problemas sociais”).

Se utilizar exemplos, que sejam, de preferência, de abrangência estadual, nacional ou internacional e de importância comprovada para a ilustração das idéias. Se escrever sobre a violência no Brasil, por exemplo, será muito mais proveitoso mencionar exemplos que despertem a preocupação nacional do que aqueles que se restrinjam a um bairro de determinada cidade como neste exemplo:
E a violência não ocorre somente em localidades pobres. Na Rua Asciata, no município de Bons Ofícios, por exemplo, ocorreram vários assaltos e assassinatos no ano passado.
Fonte: Mundo Vestibular.

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Dissertação - Dicas Importantes II.

Dissertação - Dicas Importantes.


3) Evite, nas dissertações tradicionais, dirigir-se ao leitor.

Ao elaborar uma dissertação – principalmente a expositiva –, evite dirigir-se, por meio de verbos no imperativo, ao leitor. A modalidade, porém, em que esse relacionamento direto com o interlocutor é obrigatório é a carta argumentativa. Repare neste exemplo de imperativo indesejável na dissertação tradicional:
Veja o exemplo tupiniquim. Só porque ela (a água) é abundante tanto na forma de rios, quanto de lençóis (Botucatu), podemos destruí-la?
Como poderíamos “quebrar” esse tratamento direto ao leitor? É simples: uma partícula apassivadora já resolveria o problema: 

Veja-se o exemplo tupiniquim. Só porque ela (a água) é abundante tanto na forma de rios, quanto de lençóis (Botucatu), podemos destruí-la? 


4) Evite as repetições exageradas e umas próximas das outras.

Você já sabe que o equilíbrio é uma das principais virtudes de um redator. Por isso, repetir exageradamente palavras, expressões e terminações vocabulares é, obviamente, algo a ser evitado ao máximo. Tome cuidado principalmente com a repetição de sons finais (ecos), de verbos no gerúndio, da palavra “que” e de vocábulos em geral.
Observação: lutar contra a repetição exagerada não implica abolir o uso do gerúndio e da palavra “que”, por exemplo, como interpretam erroneamente tantos alunos. Vamos ver algumas repetições desagradáveis? Comecemos pelos ecos:

Poderíamos evitá-los pela substituição de algumas palavras: A atuação dos meios de comunicação diante das denúncias de corrupção aumentou a percepção crítica da população.

O procedimento da mídia diante das denúncias de corrupção aumentou o senso crítico das pessoas.

Vejamos agora um exemplo de repetição exagerada do gerúndio:
Uma revelação do esporte brasileiro está sendo Guga, que em tão pouco tempo conseguiu vitórias inéditas com o tênis e está sendo o representante brasileiro mais árduo atuando fora e conquistando o coração dos brasileiros.
O período, bem “grandinho”, ficaria melhor se fosse dividido em duas frases e se fosse reestruturado de maneira a evitar o “gerundismo”:
Uma revelação do esporte brasileiro é Guga, que em tão pouco tempo conseguiu vitórias inéditas com o tênis. Ele é o representante brasileiro mais árduo no exterior e conquistou o coração dos brasileiros. 

Veja agora como o “que” usado exageradamente torna a leitura desagradável:
Vários cientistas dizem que a clonagem humana, que é um avanço científico inevitável, tem que ser explorada de maneira que a dignidade das pessoas seja respeitada.

Basta um pouco de criatividade e bom senso para evitar o “queísmo”:
Segundo vários cientistas, a clonagem humana, foi um avanço científico inevitável, deve ser explorada sem a dignidade das pessoas ser prejudicada.
A repetição de palavras também deixa a leitura desagradável. Repare:

Alguns constatam que a clonagem em humanos, para apenas reproduzir novos seres, pode ser perigosa, pois ela não está livre de produzir seres anômalos. Cite-se o exemplo da ovelha Dolly. Dos 276 embriões manipulados, apenas 29 sobreviveram para serem implantados em ovelhas, e desses somente um teve a reprodução efetivada. Então, da mesma maneira que o sucesso dessa tecnologia nos animais foi custoso, o mesmo pode ocorrer no projeto que envolve humanos.

Entretanto, no ano passado, cientistas apresentaram à sociedade o projeto Genoma, que consistiu na "leitura" dos cromossomos humanos. Com esse projeto da ciência, no futuro, eles pretendem identificar as funções de cada cromossomo, para depois corrigir os erros genéticos. Esses erros talvez possam ser corrigidos com a "clonagem terapêutica", que visa à regeneração de órgãos e tecidos danificados. A conciliação do projeto Genoma com a clonagem terapêutica pode resultar em uma grande conquista científica. 

Poderíamos evitar as repetições exageradas e muito próximas por meio da substituição e da omissão (f) de algumas palavras:
Alguns constatam que a clonagem em humanos, para apenas reproduzir novos seres, pode ser perigosa, pois ela não está livre de produzir resultados anômalos. Cite-se o exemplo da ovelha Dolly. Dos 276 embriões manipulados, apenas 29 sobreviveram para serem implantados em ovelhas, e desses somente um teve a reprodução efetivada. Então, da mesma maneira que o sucesso dessa tecnologia nos animais foi custoso, o mesmo pode ocorrer no projeto que envolve humanos.

Entretanto, no ano passado, cientistas apresentaram à sociedade o projeto Genoma, que consistiu na "leitura" dos cromossomos humanos. Com esse avanço da ciência, no futuro, eles pretendem identificar as funções de cada cromossomo, para depois corrigir os erros genéticos. Essas falhas talvez possam ser corrigidas com a "clonagem terapêutica", que visa à regeneração de órgãos e tecidos danificados. A conciliação do f Genoma com a clonagem terapêutica pode resultar em uma grande conquista científica.